• Prescila Francioli

Nossa singela homenagem a Prescila Francioli que também fez parte dos nossos autores do Geração Lite



Sobre a autora:

Prescila Alves Pereira Francioli (52 anos), três livros foram escritos e publicados por Prescila Francioli: “Retratos de Uma Vida”, “Fogo e Chuva” e “O Mistério de Gaya”, sem contar outro livro que estava pronto para publicação.


Texto é dedicado a sua base de leitores e admiradores.

Quarenta e quatro dias antes do seu falecimento, ocorrido no final da noite de quarta-feira da semana passada (25/8), a contadora e escritora mourãoense Prescila Alves Pereira Francioli solicitou que fosse publicado um texto de sua autoria, caso viesse a morrer. O pedido, onde ela revela que estava muito doente – “minhas chances de vida são pequenas” -, foi encaminhado a uma pessoa amiga e somente foi revelado neste final de semana.No pedido, ela destaca que “ao longo desses anos construí uma base de leitores e admiradores. Assim sendo, escrevi um texto de despedida. Caso venha a ir morar em outro plano, gostaria que publicasse o texto”.


O pedido foi feito através de mensagem de WhatsApp no dia 12 de julho, às 7h13min da manhã. No dia 31 de julho, Prescila Francioli foi submetida à cirurgia para a colocação de quatro pontes de safena, em Maringá. O procedimento foi realizado sem problemas e no dia seguinte apresentava boa recuperação. Porém, o quadro se agravou e no dia 12 de agosto foi levada de UTI aérea para o Hospital Santa Casa de Curitiba para transplante de coração. Treze dias depois faleceu.


Fonte: https://crn1.com.br/2021/08/novelo-de-la-contadora-e-escritora-falecida-deixa-texto-de-despedida-para-publicacao/


Nossos sinceros sentimentos a família.

Equipe e autores do Geração Literária


Novelo de Lã, por Prescila Francioli: Confira o texto na intregra, abaixo:

Hoje sentei-me para conversar com meu pai, em seu colo me aninhei como um pequeno novelo de lã. Comecei a observar seu minucioso trabalho, tecendo cada fibra de minha vida. De suas mãos, de forma muito cuidadosa, saiam pontos, às vezes apertados, de uma forma, que era até difícil de se mexer direito, era eu sendo lapidada pela dor, aprendendo com o sofrimento.


Outras vezes, o ponto era frouxo, solto, livre e nesse tecer, eu sorria feliz, dançando ao som da vida, era o artesão me ensinando que depois de cada ponto apertado, de cada sufoco, vem a alegria, a merecida vitória para os que não se lamentam.


Houve momentos que a agulha de meu pai tecia pontos duplos e nessas horas, ah como era bom, porque eu aprendi a compartilhar momentos, a viver junto, a sorrir e até chorar, mas em companhia. Foram nesses pontos que guardei coisas lindas, muitas delas me fortaleceram em momentos difíceis pelos quais passei.


Teve vezes, que a agulha puxou um único ponto, era eu caminhando no deserto e mesmo gritando, parecia que eu estava completamente só, que ninguém ouvia, que ninguém se importava, e nesses desertos da minha vida, eu cresci, chorei, amadureci, descobri que nunca estive sozinha, porque meu Pai caminhou de braços dados comigo, mesmo eu não o vendo.


Houve pontos que foram laçadas, e elas pareciam terem asas, foi quando conheci anjos humanos, e foram tantos, que fizeram toda a diferença no tecer da minha vida.


Teve vezes, que os pontos falharam, não porque o meu artesão errou, mas porque Ele tinha um propósito para cumprir com essa aparente falha, porque Ele permitiu que falhasse, primeiro meu pâncreas e agora, o meu coração. Mas eu vi, eu senti e sinto uma força tão grande me sustentando que nem chorar eu choro, eu apenas aceito, porque sei que meu artesão tem sempre o melhor para mim, mesmo parecendo o contrário.


No desenrolar do novelo de lã da minha vida, teve pontos muito apertados, mas também teve laçadas, pontos frouxos maravilhosos e sempre eu procurei louvar o meu artesão em tudo, porque sou uma obra de arte produzida por Ele.


Bem, hoje eu estou aqui e o louvo por cada pequenino detalhe da minha vida permitido, tecido por meu Pai que é Deus. Amanhã… talvez eu não esteja mais aqui, com os anjos humanos que viveram e me acompanharam, porque com Ele eu estarei, o louvando eternamente eu estarei e nesse dia, terei cumprido minha missão e será para mim um momento de extrema vitória, porque terei voltado para casa. Sou um novelo de lã nas mãos de Deus, que tece cada milésimo de segundo da minha vida.



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