Empatia, o segredo para lidar com a diversidade!



Nascemos simples e ignorantes, com a mesma capacidade de aprender, criar, transformar e evoluir. Em função das nossas escolhas e/ou da vida que vivemos, trilhamos caminhos diferentes.


Se olharmos com atenção para nosso interior, encontraremos valores já desenvolvidos e outros ainda por desenvolver, experiências acumuladas, marcas significativas resultantes do estilo de vida adotado pelas famílias e pelo próprio indivíduo quando este atinge a maturidade. Isso acontece com todas as pessoas que convivem no mesmo tempo e espaço. Desta maneira, cada um de nós é o resultado do caminho trilhado e do meio em que vive. Assim a diversidade vai se configurando na coletividade.


As aptidões individuais são o produto atual deste processo evolutivo, onde os mais aptos deveriam ajudar os outros rumo ao progresso. Semelhanças criam vínculos estabelecendo laços, grupos e tribos. Consequentemente a diversidade também aumenta, se propaga.

Devemos desenvolver a empatia, a humanidade e a solidariedade. Preconceitos diversos sempre existirão e devemos nos engajar na luta contra eles.


Abordarei aqui a psicofobia que é o preconceito contra as pessoas que têm transtornos mentais. Mais precisamente a depressão, pois quem sofre desta patologia enfrenta um paradoxo entre a banalização e o preconceito. Pois um problema ainda mais grave que a própria doença é a barreira do preconceito, que impede muitas pessoas de buscar ajuda. E este, quase sempre, é turbinado pela falta de empatia, este sim o que parece ser o mal do século, especialmente neste momento da realidade brasileira. Está mesmo faltando essa capacidade de sentir as emoções das outras pessoas, imaginando o que elas poderiam estar pensando ou sentindo em determinada situação. A empatia é uma resposta afetiva voltada mais para a situação de outra pessoa do que à própria.


Muitas vezes as pessoas relacionam depressão e ansiedade à preguiça, fraqueza, falta de Deus ou a uma falha no comportamento da pessoa. Sabemos que muitas pessoas passam por situações difíceis na vida, mas enquanto alguns têm mais facilidade para administrar suas emoções e pensamentos, outros têm mais dificuldade. E não precisamos ter vergonha em admitir isso. Quando não sabemos lidar com as dificuldades, deixamos que sentimentos negativos tomem conta.


O Setembro Amarelo trouxe algumas reflexões sobre como lidar com as pessoas em situação de depressão. É preciso demonstrar apoio, mas sem exigir ou esperar que a pessoa vá atrás de ajuda logo de início. Leva um tempo para que a pessoa tenha confiança o suficiente para expressar seus sentimentos. Precisamos ouvir as reclamações, lamentações e exigências do outro com empatia. Doar um pouco do nosso tempo para dar a devida atenção. Estamos extremamente ocupados nos dias atuais, mas às vezes, uma ligação ou uma mensagem são suficientes. Não é tão fácil entender o raciocínio de alguém quando estamos de fora da situação. Precisamos de empatia e procurar entender as emoções da pessoa mesmo que pareçam estranhas. Normalmente, as pessoas procuram resolver problemas pessoais sozinhas, o que torna tudo mais difícil. Muitas vezes nosso papel é sugerir que as pessoas busquem auxílio de um profissional.


O assunto é muito sério, devido às sequelas impostas pela pandemia gerada pela COVID-19 um número ainda maior de pessoas tem sido afligidas com estes transtornos, só quem sofre ou já sofreu algum problema nesta área sabe o quanto é dolorido escutar brincadeiras, piadas e perceber a indiferença do outro. No mundo há cerca de 700 milhões de pessoas com transtornos mentais, sendo que aproximadamente 50 milhões estão no Brasil. As doenças emocionais existem e são mais difíceis de lidar do que as físicas. O problema está na forma como o público em geral encara este tipo de doença.


Não basta apenas tolerar. Para construirmos uma sociedade justa socialmente e livre de preconceitos, precisamos aprender a ver as pessoas – não apenas enxergá-las. Precisamos aprender a conviver afirmando existências diversas, precisamos aprender a não sermos coniventes com comportamentos que invisibilizam e aniquilam vidas consideradas “fora do padrão”. Precisamos romper com essa mentalidade de que existe um “padrão”, para que isso possa refletir positivamente nas nossas estruturas sociais.


No processo de evolução temos a oportunidade de vivermos várias vidas, experimentarmos diferentes papéis, assimilarmos experiências de todos os tipos, crescermos enquanto seres humanos e profissionais, contribuindo ainda mais para a equidade e empatia. Afinal, a riqueza mora na diversidade.


“Você pode até dizer que não entendeu o que eu disse. Mas jamais poderá dizer que não entendeu como eu te olhei.” (Padre Fábio de Melo)

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