• Eduardo Marques

Em um mundo polarizado de qual lado devo ficar?

Atualizado: Jun 1

A importância de se posicionar, não justifica atos de intolerância ou agressividade.



Eu fico me perguntando onde estão as rodas de amigos, das quais participávamos e debatíamos todo tipo de assunto, sem a preocupação de quem estava certo ou errado. As discussões, independentemente de suas “verdades”, favoreciam uma visão ampla da realidade, nos ajudava a desenvolver pensamentos críticos e principalmente na formação do respeito mútuo sobre liberdade individual de expressão.


Éramos católicos, protestantes, espíritas, conservadores, liberais, progressistas, socialistas, não importava, pois o mais interessante de tudo, era que os debates inflamavam nas argumentações e retóricas, nos preparávamos para aqueles momentos e no final das batalhas épicas, saíamos sempre sorrindo, abraçados e inclinados a buscar, cada vez mais, o conhecimento e o aprofundamento destes ou aqueles assuntos postos em pauta.


Hoje, distanciaram-se os amigos e as rodas de discussões. Estão ofuscadas a tolerância e o respeito à liberdade de opinião. Vivemos um momento de polarização em quase todas as esferas, sejam elas ideológicas, políticas, culturais ou religiosas. A generalização é militante e o reducionismo se converge, cada vez mais, na diminuição do ser humano e no maniqueísmo desacerbado de opiniões.


A todo momento, encontramos nas mídias sociais, pessoas usando termos ofensivos e atacando divergências políticas e ideológicas de maneira superficial e equivocada, desconsiderando reais fundamentos filosóficos ou ideológicos. Os sentimentos envolvidos são tão intensos que, lido da perspectiva de cada um, o outro parece completamente absurdo.


Não podemos negar que somos influenciados e bombardeados, a todo momento, por notícias tendenciosas, minimalistas e muitas vezes falsas, as famosas fake news. Conteúdos escolhidos a dedo e direcionados pelos algoritmos e órgãos de imprensa, baseados somente em suas opções políticas e ideológicas, favorecendo a polarização de opiniões e justificando atitudes cada vez mais radicais.


Diante deste contexto ambíguo e volátil, precisamos lembrar de um fato muito relevante, que as relações humanas e as interações pessoais beneficiam uma troca sadia de conhecimento, apresentando a possibilidade do contato com novas perspectivas, mesmo diante de assuntos aparentemente controversos.


Estar com a mente aberta e respeitar a diversidade de pensamento nos favorece, ouvirmos outros pontos de vistas é muito importante para nossa formação filosófica, além da oportunidade de modificar ou reforçar nossos próprios argumentos, aproximando-nos de outras pessoas e demonstrando que somos pessoas maduras e convictas de seus ideais de coletividade, sem perder nossa identidade.


Agora quanto ao seu posicionamento e opinião, faça-se ser escutado, ouça mais, favoreça o diálogo, assim irá descobrir, não quem está certo ou errado, mas o que nos transformará em seres melhores do que antes dessa conversa.


Se me perguntar de que lado eu estarei, posso dizer convicto que sempre escolherei o lado do respeito ao diálogo, da troca de conhecimento e principalmente da amizade, favorecendo, pelo menos enquanto viver, a possibilidade de dizer que, pelo menos, alguma coisa aprendi nesta vida repleta de diferentes conceitos, verdades e belezas filosóficas.


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