De Repente 40... E agora?!

“Tenho sonhos adolescentes, mas as costas doem. Sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem” (Sandy)



Confesso que ao se aproximar da data em que eu completaria 40 anos, uma crise existencial se abateu sobre mim, meu relógio biológico despertou tal qual acontece com todas as mulheres que adentram na idade da loba. Na época eu sofria de depressão e transtorno de ansiedade e havia muitas dúvidas, insatisfações e frustrações em minha mente. Este era o enredo da minha vida: conflito e confusão.


Entretanto, eu sempre fui uma pessoa em busca de motivação, de novos desafios e resolvi encarar essa fase à minha maneira. Tracei metas, fiz um check list de tudo que gostaria de ter feito desde a infância e fui marcando o que já havia realizado. Percebi que havia muito mais a agradecer do que a reclamar.


Crise dos 40?? Que nada!! Crise eu tive na juventude por não saber qual caminho trilhar. Hoje eu acredito estar numa ótima fase e que o melhor ainda está por vir.


Sempre ouço dizer que estou na flor da idade e realmente acredito nisso. Já fiz 20, 30, de repente 40… e agora?! Agora eu quero mais é me divertir! Deixo a competição, a autoafirmação e a busca pelo perfeccionismo para as outras gerações.


Nessa idade são muitos os preconceitos e os paradigmas que nós mulheres temos que quebrar. O crivo com o qual a sociedade nos julga é muito cruel, o fato de eu estar solteira e não ter experimentado a maternidade é alvo de comentários depreciativos e olhares de desdém. Como se fossemos ovelhas negras por não seguirmos a receitinha de como ser uma mulher bem sucedida ou por termos escolhido ter uma carreira acadêmica ou profissional e nos dedicarmos a ela. Ainda bem que esses comentários são apenas opiniões e que elas não influenciam absolutamente nada em minha vida.


Aos 40 aprendi que amor não se implora, não se espera. Amor se vive ou não e que ciúme é um sentimento fútil, ele não torna ninguém fiel a você. Nessa fase praticamos o desapego, aprendemos a escutar e permitimos ao outro o privilégio de falar.


Há muito tempo optei por encarar minha vida sob um prisma diferente, busco o otimismo. Sou bem resolvida com meu estilo de vida, realizada profissionalmente, comunicativa, viajada, descolada, bem humorada, estudada. Já plantei uma árvore, escrevi um livro, fui blogueira, atleta, artesã, entre outras coisas. Até minhas tragédias pessoais viram comédia pela forma como eu lido com as adversidades, com minhas experiências, amores e desamores. Tudo vira história, basta ter um papel e uma caneta em mãos.


Aos 40 quero da vida tudo que ela puder me ofertar. Quero conhecer lugares novos, revisitar lugares velhos, ver o sol da manhã e senti-lo tocar minha pele, quero ver a lua e o céu estrelado, encontrar novos amores e relembrar amores antigos, estreitar laços afetivos, aprender coisas novas, um idioma, uma música, conhecer um restaurante novo ou uma cidadezinha do interior.


Claro que vez ou outra sou inundada por expectativas, ansiedade, insatisfações como qualquer ser humano, mas logo tudo se dissipa como a névoa, pois lembro que tenho pressa e há muito por viver.


Só porque não me assemelho às mulheres exuberantes das revistas e comerciais televisivos não quer dizer que eu não seja linda à minha maneira, aos 40 preferimos ser inteligentes. Cobranças e comparações não nos afligem mais. Eu consegui me libertar destes estigmas, do julgamento e das opiniões alheias. Adquiri autoconfiança e percebi que a vida pode ser mais curta do que se pode imaginar. O ontem já passou e o futuro ainda é utopia.


Aos 40, não nos preocupamos mais em seguir modinhas em redes sociais, a corrente vai quebrar, o textão sobre o algoritmo não divulgar nossas postagens pouco nos importa, raramente nos lembramos de postar a foto de uma viagem ou evento, estamos ocupadas demais vivendo. O desafio sem make também não vai rolar. Nesta fase da nossa vida aprendemos que tudo passa, inclusive amores e amizades e está tudo bem. A vida continua. Perdoamos mais rápido porque somos nós as beneficiárias, somos leves. Tratamos bem todas as pessoas independentemente da função, porque isso nos faz nobres.


Quando olho para minha vida vejo o quanto evoluí, melhorei, amadureci e posso afirmar que 40 é uma fase incrível. Me livrei de amarras que me prendiam a conceitos e preconceitos.

Antes eu achava que o tempo era meu inimigo, hoje vejo que ele é um velho amigo. Adotei a positividade e vivo um dia de cada vez. E é na dinâmica erro-acerto que essa menina-mulher que vos fala ainda tem muito para viver e conquistar. Posso ser quem eu quiser sem me preocupar com estereótipos. Gosto de ser a ovelha negra da família.


Hoje no auge dos 40 tenho certeza de quem eu sou e muita clareza do que eu quero.

A crise dos 40 não é necessariamente uma crise, é um estágio para se auto avaliar e aprender a ser mais sábia, aproveitar cada segundo da vida com toda a experiência acumulada.


“Que tenhamos mais ovelhas negras assim como eu e que possamos caminhar livremente junto às ovelhas brancas”.

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