• Fabiana Francisco

Chegadas e partidas!

Sempre haverá o momento da chegada e o da partida. Que o primeiro nos alegre e o outro nos faça ser saudade.



Oito anos nesta cidade. Hoje me despeço.


Sentada na pequena rodoviária, muitas lembranças me vêm à mente, enquanto aguardo o ônibus que me levará para meu novo endereço. Parto cheia de certezas por tudo que vivi e levo na bagagem, junto com alguns pertences, a incerteza do que virá.


Aqui aprendi que não existem “dez passos para a felicidade”, nem uma fórmula mágica ou a receita “de que vai dar tudo certo”. Existem, sim, pessoas que apesar das adversidades que encontram, continuam a caminhar, que tropeçam, param para descansar, cambaleiam, choram, gritam, se desesperam, pegam impulso e seguem em frente.


Passei por maus bocados em minha vida, que me fizeram questionar como consegui sair ilesa, mas não inteira, deixei alguns pedaços pelo caminho. Alguns cabelos brancos foram conquistados e tantos outros perdidos. Percebo em minha face as marcas do tempo, motivos de orgulho para mim.


Eu me imagino velhinha, sentada no banco da praça contando minha história para algum desconhecido. Eu quero viver uma vida que me renda histórias incríveis e uma vontade incontrolável de contar tudo para a primeira pessoa que eu vir pela frente. Quero contar dos medos que eu superei, dos lugares e das pessoas que eu conheci, quero falar cada detalhe e lembrar dos sentimentos que aquelas coisas representavam.


Uma das minhas maiores qualidades é não ter medo das mudanças, é não me prender brutalmente às coisas e nem a uma vida metódica. Não tenho medo da vida simples, mas temo aceitar qualquer coisa e viver na mesmice…


O medo de ficar totalmente sozinha não me assombra mais.

Tudo na vida tem um propósito, nada acontece por acaso. Pessoas vão embora para que outras cheguem. A brevidade da vida deveria nos ensinar a buscar aquilo que o dinheiro não compra e dar um novo sentido à nossa existência que a incansável corrida por coisas materiais.


Quanta satisfação e alegria ao observar o ônibus se aproximar e com ele uma nova oportunidade de ser feliz em outro lugar. Ajeito minhas bagagens em seus compartimentos e com elas minha esperança de dias melhores.


Deixo no passado junto com o pó dos caminhos, tudo aquilo que não me serve mais. Uma lágrima rola pelo meu rosto ao ver ficando para trás o cenário que brevemente não ilustrará mais minha história.


Que a dor de cada partida seja substituída pela surpresa de cada chegada!

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